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  • Coluna de Wagner Gonzales: O pit stop do Corona Vírus
  • A primeira grande pandemia da internet 5.0 não poupou o automobilismo: em um ambiente no qual pouco que se sabe, prevenir é imensamente mais sábio que remediar.
  • Por Wagner Gonzales

    O pit stop do Corona Vírus

    A primeira grande pandemia da internet 5.0 não poupou o automobilismo: em um ambiente no qual pouco que se sabe, prevenir é imensamente mais sábio que remediar.

    Aquela que pode ser considerada a primeira grande pandemia da internet 5.0 não poupou o automobilismo: provas foram canceladas, abertura de campeonatos adiadas, pneus destruídos e, ontem, o Circuito das Américas (em Austin, EUA) anunciou a suspensão temporária de suas atividades. Em um ambiente no qual o pouco que se sabe não inclui nenhuma vacina ou medida que contenha o antídoto para a enfermidade, prevenir é imensamente mais sábio que remediar, não importa o custo social e financeiro que isso implica.

    O recente cancelamento do Grande Prêmio da Austrália somou-se à lista aberta com a decisão anterior e semelhante adotada para a etapa da China, medida agora também afeta as etapas do Bahrein e do Vietnam. A situação hoje (terça, 17/3/2020) é de que o Campeonato Mundial de F-1 terá início no final de maio, o que coloca o GP de Mônaco como provável abertura da temporada. A última vez que essa prova teve esse privilégio foi em 1966, mais exatamente no dia 23 de maio, quando Jackie Stewart conquistou sua segunda vitória na categoria. A primeira foi em Monza, em 1965.

    Se o Grande Prêmio da Austrália foi cancelado, as corridas da China, Bahrein e Vietnam foram adiadas e, se tudo correr conforme os desejos da Liberty Media (a detentora dos direitos comerciais da categoria) a possibilidade de resolver esse problema passa por considerar o adiamento do campeonato como período de férias do calendário que normalmente ocorre em agosto para disputar as provas da China e Vietnam e encaixar o GP do Bahrein no final do ano. Esta segunda parte da solução implicaria em uma ampla negociação com os promotores do GP de Abu Dhabi, que compraram os direitos da prova final do calendário; em outras palavras, eles teriam que aceitar postergar sua prova por pelo menos uma semana para que o GP do Bahrein aconteça no dia 29 de novembro. Ironicamente as duas provas são patrocinadas por empresas aéreas – a primeira pela Etihad e a última pela Gulf Air -, setor imensamente prejudicado pela explosão do Corona vírus.

    Outra consequência importante do cancelamento das quatro primeiras etapas da temporada foi a destruição dos 1.800 pneus que foram montados para uso na corrida de Melbourne, para a qual foram especialmente fabricados. Os pneus atuais da F-1 só podem ser montados uma única vez em suas respectivas rodas devido à possibilidade de dano nos talões, a parte do equipamento que fica em contato com os aros. Diante da impossibilidade logística de transportar o conjunto roda-pneu montado desde a Austrália para um outro país o fabricante italiano optou por destruir o equipamento, que foi usado em fornos de fábrica de cimento. Os pneus produzidos para as corridas seguintes, já fabricados, estão a salvo e permanecem armazenados e à espera da confirmação de Mônaco como local e data da próxima corrida.

    O cancelamento das provas da F-1 se alastra por categorias como a F-Indy e o Campeonato Mundial de Endurance e levou à interrupção de atividades no Circuito das Américas (também conhecido como COTA). Os proprietários do complexo que agrega um anfiteatro, estádio, centro de conferências e pista de corridas cancelaram a prova de F-Indy prevista para o dia 24 de abril e postergaram a etapa do Campeonato Mundial de Moto para 15 de novembro. Cerca de 250 funcionários foram dispensados e apenas uma equipe essencial para a manutenção do complexo foi mantida, medida que visa facilitar o retorno das atividades normais do empreendimento quando possível.

    Em Indiana, a direção da Indianapolis Motor Speedway confirmou a intenção de realizar a tradicional prova de 500 Milhas, prevista para acontecer dia 24 de maio. Autoridades sanitárias dos Estados Unidos recomendaram o cancelamento ou adiamento de eventos envolvendo mais de 50 pessoas previstos para acontecer nas próximas oito semanas, o que deixa a Indy 500 fora dessa quarentena alongada. A realização da prova, porém, ainda poderá ser afetada em função do desenvolvimento da pandemia. Na Bélgica os promotores da 6 Horas de Spa-Francorchamps suspenderam a venda de ingressos para a prova que serve como preparação para a 24 Horas de Le Mans. Não há informação oficial se o evento foi cancelado ou adiado.

    No país a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) divulgou nota ontem suspendendo a realização de provas automobilísticas em todo o território nacional. A decisão foi tomada após organizadores de várias categorias terem anunciado medida semelhante, entre elas a Stock Car, que postergou a prova de duplas, prevista para acontecer dia 12 de abril, em Goiânia, para o dia 22 de novembro. Segundo a nota, a entidade “seguirá com diálogo constante com os atores do nosso segmento e órgãos governamentais competentes e reavaliará a medida tão logo os riscos sejam amenizados."

    Publicado em 17/03/2020


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